Tudo isto, que é infinito para a felicidade, o haveria feito o passeio de um só homem pela provincia.

Quando elle houvesse passado, mandasseis muito nas boas horas o exactor dos tributos; não havia de voltar com as mãos vazias.

VII—Seja-nos permittido citarmo-nos a nós mesmos, transcrevendo para este papel de consciencia o que em outro papel, tambem de consciencia, escreviamos em 17 de Abril de 1845, por occasião do relatorio do Barão Thénard sobre a admiravel Exposição da Industria franceza n’esse anno. O conselho que então davamos, ninguem dirá que fosse insensato, nem vergonhoso ou ruim de receber, nem que, recebido, podesse ser improductivo; e entretanto.... soou no deserto; não encontrou um só ecco pelo Parlamento, nem pelo Governo, nem pela Imprensa; ainda dormiam todos.

Agora que já a miseria cresceu, em tres annos, mais tres seculos, repetimol-o. Pode ser que já alguem tenha acordado. ¡Oxalá!:

«Reflicta-se no exemplo d’aquella grande Nação, a França, e cuide-se em o imitar. Lá a par da invenção, apparece constantemente o premio. Convidar e abrir salas aos productos da Industria, alguma coisa é, mas não basta. Para os espiritos capazes de crear, seja em que genero fôr, não ha estimulo como o do premio honorifico; e o premio honorifico, as medalhas de oiro, de prata, ou de bronze, recebendo-se como thesoiros, podem custar pouquissimo a quem as dá. Tantos não são os premiaveis n’este pequeno Reino, que hajam taes premios de montar a muito; e ¡oxalá que subissem a contos de réis! A esta verba nova de despeza do Estado corresponderia outra de receita milhares de vezes maior. Fundada no exemplo da França, dos Estados-unidos etc., parece-nos que nenhum serviço mais relevante poderia fazer a Sociedade promotora da Industria nacional, do que offerecer ao Governo, para elle apresentar ás Côrtes, um projecto de Lei de premios para os inventos e aperfeiçoamentos. A nossa proxima futura Exposição poderia sahir dez vezes máis esplendida e animadora, que a passada. ¿E não conviria até, e não seria inteiramente conforme com o espirito d’este seculo, crear uma Ordem nova especial para os benemeritos da Industria, como nos tempos guerreiros se creavam tantas para os extremados no exforço? ¿Será mais honrosa, e será sobre tudo mais util, a heroicidade militar, que o engenho creador e renovador da terra?»

Assim bradavamos nós em favor de todos os generos de Industria.

Hoje limitamos o requerimento á Industria mãe de todas: á Agricultura.


Homens, que o Povo escolhe e envia, e a quem paga, para lhe formulardes em Leis a sua vontade, mostrae-vos dignos de tão alta missão; decretae a Ordem do Arado.

Outubro de 1848.