Quando nós e o povo assim estamos determinados a cumprir o nosso dever ¿poderiam o Governo e o Parlamento, que são a providencia grande do Reino, deixar de nos coadjuvar? Não podiam nem podem.

É por isso que, a par dos Estatutos para a Real approvação, eu já fiz subir ao Throno a petição com que, em nome e como presidente da Sociedade, supplico se nos conceda um pequeno terreno nacional, ha já annos devoluto, sobre que edifiquemos. Grande, pingue, rendosissimo que elle fosse, nol-o deveriam outorgar, pois nenhum uso se poderia jámais d’elle fazer mais proveitoso e abençoavel do que este.[12]

¡Oxalá que em muitas partes do Reino se levantassem institutos eguaes, sollicitando e obtendo eguaes ou ainda maiores concessões!

Para mais facilitar a graça que sollicitamos, e ao mesmo tempo para nos adstringir mais á observancia dos nossos deveres, eis aqui uma clausula do requerimento, consignada não menos nos Estatutos:

Se em algum tempo (o que Deus não permitta) a Sociedade dos Amigos das Lettras e Artes deixar de existir, isto é, se algum dia deixarem de apparecer as suas obras beneficas, a sua casa e bens passarão para o usufruto do Hospital do Districto, e lá ficarão até que, ou com os mesmos individuos ou com outros, mas com os mesmos estatutos, e para os mesmos fins, a Sociedade reappareça.

Meu caro e incançavel obreiro de civilisação, apadrinhe com a grande autoridade da sua philosophica e eloquente folha, esta petição, a mais justa, a mais desinteressada, a mais nobre, que em nenhum tempo se fez; não para que a despachem, que para ahi não cabem duvidas, mas para a maior brevidade do despacho.

Cada dia que se perde para as obras de instrucção e moralisação é um mal, e são males infinitos que se não ressarcem.

De V. S. etc.
Antonio Feliciano de Castilho.

NOTAS DE RODAPÉ:

[7] De feito, nem um appareceu; mas os mexericos sollapados progrediram, e por derradeiro triumpharam.