O informe que o Ex.ᵐᵒ Governador Civil do Districto de Ponta-Delgada dirigiu ao Governo sobre esta pretenção, deve necessariamente concordar com o exposto, e dar a conhecer, por outra parte, ser aquelle um terreno, que se acha ha annos devoluto. Nunca propriedade nacional haverá sido mais util, nem mais louvavelmente empregada, do que esta, que em menos de um anno, a datar da concessão, estará convertida em um manancial de instrucção, de moralidade, de affecto para com um Governo, que não perde occasião de felicitar os povos.

Lisboa 24 de Abril de 1849.

O Presidente da Sociedade dos Amigos das Lettras e Artes em S. Miguel
A. F. de Castilho.

VII
Fala do Secretario da Camara Electiva o Snr. João de Sande e Magalhães Mexia Salema na sessão de 25 de Abril de 1849 fielmente trasladada do «Diario das Côrtes»

«Sr. Presidente

«Desci de proposito d’esse logar da meza, para não declinar a honra, que ha pouco recebi, de ser incumbido pelo sr. Antonio Feliciano de Castilho, de apresentar a esta Camara uma representação da Sociedade dos Amigos das Lettras e Artes de S. Miguel, de que elle é dignissimo Presidente, em que se pede a concessão da cêrca do extincto convento da Conceição, para n’ella levantarem o edificio do seu solar de Lettras e Artes.

«Ha momentos, que recebi esta representação; de um rapido lançar de olhos sobre ella, conheci a importancia e urgencia do objecto. Além da natureza d’este, a Camara sabe avaliar a consideração, que merece uma corporação scientifica, pedindo auxilio dos Eleitos do Povo; e muito mais, tendo á sua testa um nome tão conhecido, não só na Litteratura portugueza, como tambem na Litteratura europêa.»

N. B—O requerimento foi mandado para a Commissão de Fazenda; de lá passados poucos dias, ao Ministerio da Fazenda, para informar; d’este ao Tribunal do Thesoiro, para o ouvir.

Em todas estas tres estações se deram ao requerente as mais agradaveis esperanças.

Eis ahi o que até hoje, que isto se imprime (24 de Novembro de 1849,) pode na materia historiar.