Na innocencia, na alegria, na lealdade, no affecto perenne, que está ressumbrando em todos aquelles rostinhos, sempre ávidos de saber, sempre distrahidos, sempre buliçosos, veem-nos umas virações de passada bemaventurança, que já foi nossa, e parece prophetisar ainda o que quer que seja. Deliciâmo-nos, como o viandante cuidoso e cabisbaixo, com o cheiro longinquo de rosas vindo de um jardim que se não vê. ¡Horas, horas de éxtase, que por todos os bailes, honras, e thesoiros, seriam bem mercadas!
Oh! cultivae, cultivae esses espiritos e corações tão esperançosos. Toda a cultura é saudavel e rescendente; mas nenhuma como essa.
Todos os entes alados, em quanto estão, com amorosa febre, aquecendo sob o peito e entre as asas os pequeninos da sua especie, mantendo-os a grãosinho e grãosinho, a verme e verme, e ensinando-lhes a adejar, são, de quantos grupos de felicidade a Natureza encerra, os mais formosos. ¡Oh! o nosso espirito é tambem uma coisa alada como os Anjos.
Uma escola, em que os profanos não vêem senão tédio, não ouvem senão sussurro, é aos olhos de todo o bom entendimento um ninho, cem vezes mais carinhoso e interessante que o dos passaros entre as sombras verdejantes da primavera.
Ha ainda, meus bons amigos, outras pessoas, a quem podeis recorrer (¿Vêdes vós? a Providencia é liberalissima): são os ricos.
¿Que muito é para esses, com um átomo supérfluo do seu oiro pagarem um mestre para os desvalidos?
—«¡Mas podiam-n-o ter feito, e nunca o fizeram»—direis vós.
É verdade; porém todas as coisas principiam uma vez. Não reflectiram ainda na facilidade e excellencias de tal obra. Não teria ainda chegado a sua hora de acordar; porque lá dizer que o oiro mirra o coração, que não ha poderosos bemfazejos, é calumniar ao mesmo tempo ao homem, e ao seu Autor.[3]
¡Que relvado florído, entre sombras inspirativas, não é este assumpto de conversação, para n’elle a vontade se espairecer! É forçado deixarmol-o por agora.