Se achardes, que espero em Deus haveis de achar, quem se promptifique a vos crear uma escola, seja quem fôr, dizei-lhe que eu, o vosso amigo, me dou por obrigado a industrial-o em só uma ou duas lições, para ensinar a ler como por encanto.
Se duvidar, pedi-lhe que venha. Verá provas, e ficará sendo prova elle mesmo.
Setembro de 1849.
XV
Nono serão do casal
Leituras publicas
SUMMARIO
Porfia-se na summa precisão que temos de Instrucção primaria.—Bom exemplo que S. Miguel está dando com as suas escolas.—Ellas progridem, e hão-de ir a mais.—O que urge agora, é que os ignorantes conheçam o agrado e préstimo do saber.—Recommendam-se para isto as leituras publicas.—O Carlos Magno nas roças do Brazil tem feito que muitos negros aprendam a ler.—O mesmo nas colonias francezas a novella de Paulo e Virginia.—O leitor publico no proprio trabalho tem a recompensa.—Leituras publicas dos Gregos e Romanos, e suas vantagens.—Tem-se grande fé em que não faltará quem se offereça a fazel-as.—Entretanto, o Povo que as sollicite.—Nenhuma estação mais propria para as publicas leituras, que o inverno.—Aponta-se d’onde os livros podem vir, e quaes hão-de ser.—Aconselha-se o traduzirem-se obras estrangeiras e populares.—Robinson Suisso.—Colloquios aldeãos, por Timon.—Os Colloquios vão sahir em vulgar.—O Robinson, traduzira-o eu, se podesse.—Digressão sobre o socialismo.—Providencia para haver boas obras populares.
Assumptos ha, que, parecendo mui simplices, nunca de todo se esgotam. Isso teem de seu as coisas intrinzecamente boas: que a tantos respeitos e por tantos modos o são, que mais se amam e desejam quanto mais se investigam, e conhecem.
Tornemo-nos á nossa instrucção primaria, risonha e amorosa alvorada do dia esplendido e magnifico da civilisação. ¡A ella, com toda a fé e caridade! ¡com toda a esperança e devoção! ¡com todo o ardor e fanatismo! ¡A ella desde hoje! ¡e teimar n’ella, em quanto os que mais o devem e podem não vierem, pelo desempenho do seu officio, desobrigar-nos d’este nosso!
E nem ainda então havemos nós de descançar; havemos de nos aggregar a elles como auxiliares livres.