[4] Entretiens de village—par Timon. (Vicomte de Cormenin). A leitura d’esta obra, de que eu não conhecia mais que o titulo, sobre modo me lisonjeou o amor proprio. Muitos dos meus pensamentos e desejos n’esta serie de artigos, haviam coincidido, e concordam, com os d’aquelle excellente philosopho. Não falando no talento, em que elle me leva notoriamente a palma, no seu livro me vejo como em um espelho. Elle obteve a amisade dos homens de bem, e alguma gratidão dos infelizes; por que não hei-de eu esperar tambem uma e outra coisa?
Castilho
O primeiro é um formoso estudo da Natureza, entresachado com um mellifluo curso de Moral; paginas, que todas resplandecem e palpitam, que todas nos amam, e que todas amamos.
O segundo é a alma de um homem humano, que, apoz muito ver, muito meditar, muito enganar-se, e muito desenganar-se sobre a politica e os estadistas, vai procurar a felicidade do Povo onde só a pode haver: no querer e bom juizo do mesmo Povo, na morigeração, na diligencia, na economia, na fraternidade, na religiosidade.
Os Colloquios aldeãos (dae-me as alviçaras da nova), brevemente os havereis em linguagem chan, sincera, e vernácula, como convem, e é essencial condição em todo o escrito que aspira á honra de ser ouvido, lido, manuseado, aprendido, assimilado, e a final vivído, pela Plebe, pelo Povo, pela Classe média, pela superior, pela Nação, pela Posteridade, pelo Mundo.
O Robinson Suisso, já d’aqui me obrigára eu a que tambem o houvesseis, e tambem em linguagem vernácula e muito vossa, se a fortuna de quem escreve com a alma deitasse a tanto como lhe chegam os bons desejos. Porque olhae vós: amigos do bem publico não faltam entre os homens que se consagram ao estudo; mas são aguias, a quem a fortuna, parece que por escárneo, se diverte a depennar as azas, ao mesmo passo que, por escárneo tambem, as vai atar, mui brilhantes e espaçosas, em quem não sabe, nem quer, senão dormir.
¡Grande desconcerto! ¡misero e miserrimo desconcerto, o que tão boas e optimas coisas dessemeia, ou calca no embrião, ou afoga á nascença, ou ao desabrochar ou ao florir as torce, as quebra, as arrebata, as confunde, as perde, as aniquila!
Oh! Quando um pouco n’este desconcerto do nosso estado presente se repara; quando tão claramente se reconhece a perda que ahi vai para o genero humano na anti-providencial discordia dos diversos meios de acção, isto é das riquezas da alma, das riquezas da diligencia, e das riquezas da bolsa, ¡que tentações não veem a um coração generoso de venerar e abraçar (a despeito de todas suas difficuldades) a sublime theoria da numerosa e crescente escola de Fourier!
Calumniado nas intenções pelos que nunca o estudaram, o systema da universal harmonia, o systema mais profundamente respeitador das propriedades, a ser exequivel (segredo, que por ora só pertence ao Altissimo), é o mais prenhe de immensos e prosperrimos destinos; o unico, efficaz para regenerar a terra, precavendo e impossibilitando revoluções; o unico, poderoso para realisar superabundante e illimitadamente as promessas charlatans e sempre fallidas dos politicos; o unico, por onde a ideia da Providencia se ha-de tornar comprehensivel a todos os entendimentos; o unico, emfim, digno do Homem, digno da Natureza, e digno de Deus, que a elle o fez para ella, como Elle é para ambos e para tudo...