¡Um leitor! ¡um leitor! e a quadra que chamavam morta, será para os vossos interesses de todo o genero a mais activa; e, no meio dos folguedos e abastanças das outras tres, a mais recordada com saudade, a mais esperada com alvoroço.
¡Oh! ¡não poder ser eu, eu mesmo, o vosso leitor!....
—«Mas os livros—perguntareis vós—¿d’onde hão de vir? ¿e quaes hão-de ser?»
Hão-de vir, com summo gosto emprestados por quem quer que os tenha, em quanto de outro modo se não possa. E depois.... ¡tão poucos bastam! ¡A leitura, saboreada como deve ser, funde tanto!
Agora, quanto á escolha (porque emfim, grão para semente ha-de ser escolhido), quando por si só o vosso leitor a não soubesse ou ousasse fazer, nada mais facil que tomar conselho com algum erudito sizudo, o qual provavelmente faria mais que indicar-lhe e recommendar-lhe a obra: facultar-lh’a-hia, tendo a; não a tendo, lá lh’a iria desencantar.
O catalogo dos livros portuguezes mais proprios para estas leituras é por ora (¡ainda mal!) muitissimo curto. ¡Ah, boa França! ¡ah, boa Inglaterra! ¡ah, boa Allemanha! ¡ah, boa Italia, que os teem em cardumes, e curam da instrucção de meninos e plebeus, como de coisa séria, e de vez.
Todavia, ainda aqui mesmo, e de repente, alguns titulos poderiamos citar ao vosso ledor, segundo os diversos interesses que elle tem de servir e prégar: verbi gratia:
- a Biblia, de Pereira;
- as Meditações, ou discursos religiosos, de Rodrigues de Bastos;
- a Imitação de Christo;
- a Moral em acção;
- o Bom homem Ricardo;
- Simão de Nantua;
- a Historia de Portugal;
- a Recreação philosophica;
- o Guia e manual do cultivador;
- o Diccionario de Agricultura, de Soares Franco;
- a Hygiene, de Mello Franco;
- a Collecção de receitas, de Lucio;
- a Revista Universal Lisbonense;
- o Agricultor Michaelense;
- o Industriador;
- o Panorama;
- o Archivo popular;
- o Recreio das familias;
- o Universo pittoresco;
- o Robinson Crusoe, etc.
D’estas obras, algumas são inteiramente traducções; outras, traducções em parte; mas essa consideração só por si pouco faz para o nosso caso. ¡Oxalá que muitos outros originaes estrangeiros, dos que merecem ser vulgarisados, se fossem para cá trasladando! Eis aqui dois, bem credores de preferencias, dois, cada um dos quaes pela utilidade vale uma bibliotheca: o Robinson Suisso, e os Colloquios aldeãos, de Timon.[4]