Quizera-se tambem que uma Lei nova, regulando mais assizadamente a propriedade do solo, em ordem a fazel-o subdividir, e aproveitar até á ultima polegada, proporcionasse conceder-se aos que houvessem sido bons soldados um pequeno chão, com o adiantamento de instrumentos, sementes, e algum dinheiro para os primeiros annos, sendo casados, ou obrigando-se a casar; e apresentando fiador que respondesse pelo valor que se lhes entregava.

Os terrenos nacionaes poderiam d’este modo ser aproveitados com grande vantagem, e mesmo os baldios dos Municipios, mediante contratos equitativos, e de interesse mutuo.

¿Que lucrou o Estado com tão consideravel quantidade de solo tomado ás Ordens religiosas? Elle nada. Crearam-se ahi meia duzia de principados, contra todos os aphorismos da Economia. Com a divisão em pequenos lotes, ¡que familias indigentes se não houveram aventurado! e o Thesoiro teria recebido já hoje vinte vezes mais do que assim obteve.

Pela mesma Lei, os grandes proprietarios que não cultivam, por não poderem ou não quererem, seriam certamente obrigados a arrendar em lotes, e por preços racionaes.

Os morgados... Mas este objecto é sobejo largo e importante; não cabe aqui.

O que apontámos sobra para mostrar que, reformadas as Leis no que ellas teem de mais flagrantemente anti-social, nenhum receio podia haver de que faltasse trabalho e pão para quem quer que fosse.


Já podemos portanto pressuppôr acceita e agradecida pelo proprio Exercito a sua suppressão, na qual, segundo se acaba de vêr, nada ha de violento nem odioso, se não que é tudo paternal.

A ulterior organisação da força publica figura-se-nos ainda mais facil. Não é invenção nossa; é do seculo; é da philosophia; é da Lei do Estado; é a GUARDA NACIONAL.

Para allivio d’esta nas cidades grandes, podia haver tambem, como em Lisboa e no Porto, uma Guarda estipendiada pelo Municipio; ainda que, ao vermos Londres, a mais populosa cidade do Mundo, manter sem nenhuma tropa, e só com meia dusia de paizanos velhos, a sua admiravel Policia; não podemos dissimular, que muita coisa está ainda por imitar de Estrangeiros, de quem, pelo commum, só o indifferente ou o inapplicavel traduzimos.