thesoiro é só ella, só ella brasão.
¡Meu Deus! ¿Será possivel que estejam a paz, a abundancia, e o amor a bater-nos ás portas, e lhes não abrâmos? ¿que a felicidade nos ria dos ares, dos valles, dos montes, dos rios, do Oceano, e lhe fechemos os olhos? ¿que este solo nos grite de todos os pontos «Pedi-me, e recebereis», e lhe arranquemos os filhos? ¿que aos brados da Industria e da Agricultura respondâmos sempre politica? ¿aos gemidos da Moral, que pede para si trabalho, fartura, casamentos, instrucção, e festas, politica, sempre politica, nada senão politica?
Aos jogadores e empalmadores da boa sorte do Povo, a esses, que lhe reprezam em seus cofres o oiro, que tantas coisas podia fecundar, não perguntemos que vale ou significa o oiro; mas aos magnates do Estado, ¿como deixaremos de perguntar que vale ou que pode essa politica, esse demonio incubo, sem olhos, sem ouvidos, sem entranhas? ¿Que tem feito? ¿que faz? ¿que ha-de fazer? ¿que sabe fazer?
Dispam-lhe a purpura, que é sangue. Amarrem-lhe os pulsos, que é harpia. Tapem-lhe a mentirosa bocca de sereia. Desterrem-n’a, ou enterrem-n’a, que os dias da credulidade já passaram.
Para o seu logar subam, ao som de vivas universaes, o amor da verdade, o amor da actividade, o amor da justiça, o amor da fraternidade, o amor das virtudes e dos talentos, o amor dos homens, das mulheres, dos meninos, e dos ainda não nascidos.
Só amores pedimos.
¡O pedil-os é tão justo!... ¡e o concedel-os é tão facil!...
Novembro de 1849.