Onde quer que elle jaz, abençoemos
as cinzas do homem bom, lá d'essas eras
que a pia usança introduziu primeiro.
¡Quanto a sua virtude era risonha!
—«Cada solteiro plantará n'este ermo
mais uma arvoresinha de anno em anno,
que lá em cima encontrará seu premio.»
¡Oh! estes rogos, sim, este pedido,
doce e desint'ressado, uncção respira;
manda mais do que as Leis; morrer não deve.
*
Produz, produz a miudo, ó Natureza,
por teu bem, por bem nosso, homens como esse.
Haja quem diga ao joven par, que ás aras
sobe apenas amante, e desce esposo:
—«Hoje, que são já fruto esp'ranças de hontem,
entrae sorrindo pelo chão da vida;
plantae, plantae um'arvore que o lembre.»
*
Quando a cabana festival se enrama,
se enflora a meza, e os aldeãos visinhos
veem festejar na casa um filho novo,
a mão paterna, de praser tremendo,
orne de um novo tronco o prédio avito.
*
¿Depois de suspirada e curta ausencia
volve um irmão das terras estrangeiras?
¿Convalesce um parente? ¿Em bem se acaba
suado, volumoso, eterno pleito,
que empobreceu o avô, o filho, e o neto?
¿Fizestes o adversario amigo vosso?
¿Sorriu-vos a ventura? ¿É farto o anno?
A sêrdes Reis, alçáreis monumentos;
¿que vale um monumento? O homem dos campos
melhores pode erguer a menos custo:
plante sobre o caminho arvores férteis.
Por elle o passageiro ardendo em calma
ache a sombra hospedeira que o recreie.
Por elle o pobre, que seu pão mendiga
de casal em casal, de monte em monte,
que não vê ceo, nem lar onde se aqueça,
nem feno onde descance, e em todo o mundo
só tem por património a caridade,
ache a fruta a pender em curvos ramos,
a acenar-lhe, a off'recer-se-lhe, a sorrir-lhe.
Assim, do bem de um só germinariam
mil bens communs; e do praser de um homem
o publico praser, publicas bençãos.
II
Se tendes de nascer, nascei mui breve,
sensiveis corações a quem Deus guarda,
a gloria de influir eguaes costumes.