VIII

O DOMINGO GORDO DOS MONTANHEZES
OU
A MATTA DE S. SEBASTIÃO

Versos na plantação de uns carvalhos junto á egreja de S. Mamede
da Castanheira do Vouga pelos rapazes solteiros da freguezia
no Domingo do Carnaval de 183...

I

N'este dia, em que o povo tumultuando
nos casaes, nas aldeias, nas cidades,
troca a enxada, o tear, o livro, a agulha,
por copos, danças, máscaras, e risos
nas saturnaes christans; quando se espraia,
desde o seio de Roma aos fins da terra,
de um praser contagioso alta vertigem;
¿por que retreme ao golpe das enxadas
sob os meus pés a solitaria encosta?

*

¡Saude a vós, a vós louvor. Bemvindos,
montanhezes, fieis aos priscos usos!
O cântaro do estylo ahi está coroado,
risonho e prestes a inundar os copos;
o prémio á vista vos redobre as forças.

*

Rasgae co'o duro ferro a terra dura;
de vossos paes a matta veneranda
em torno de seu santo antigo dono
se accrescente por vós. Plantae, que é tempo,
no chão, sagrado de suor devoto,
ó presente annual, que o Ceo prospére.

*