Ó filhos da montanha, ¡oh! libertae-vos
de um preconceito vão; é toda a terra
a terra do Senhor; afora o vicio,
debaixo d'este ceo nada é profano.
A benção do Pastor consagraria
vosso asylo feliz; e a Cruz em meio
todo de um santo influxo enchêra o bosque.
VII
Mas, em quanto esses dias vos não raiam,
bons velhos, vigiae que, de anno em anno,
aos juvenis futuros plantadores,
em vez de se afrouxar, se inflamme o zelo.
Cresça com seu favor por estas serras
a geração dos vegetaes gigantes.
Com todos vós conversam todos elles
sem cobrir campas; guardam-vos saudades,
são parentes de todas as aldeias,
e o brasão da montanha é o vosso parque.
Sobre tudo influi que a vossa raça
trema ao só nome do brutal machado
que ouse violar a veneranda herança.
O que só Deus medrou, só Deus derribe.
*
Crêde-me (eu já vi outras) vossa terra
é descrida, enteada á Natureza.
Cumpre a vós adoçar-lhe o aspecto agreste,
amiudar-lhe no oceano ermo dos ares
estas ilhas, virentes, graciosas,
que espalhem primavera pelos montes,
que attráiam as volantes caravanas
do rouxinol, da rôla, e da andorinha.
VIII
Lá em baixo a casa humilde que branqeja,
entre os alegres plátanos e o templo,
quasi que pasma, e se entristece e encolhe,
de ver em torno a solidão tão vasta.
Como que está pedindo... ao menos bosques;
não tem outros jardins, outros passeios,
que offereça a seu dono, o Pastor vosso.
Preparae desde já para o futuro
sombras novas aos novos successores,
e refrigério estivo ás cans do velho.
Casae co'o vosso int'resse o int'resse alheio.
Mil vezes sua voz reconhecida
rogará paz ditosa aos vossos netos,
quando, serena a mente, e sôlta a vista
lá fôrem divagar, ora embebidos
nos psalmos, nos poeticos arrojos,
ora admirando o Autor e o Nó dos mundos,
no largo azul dos ceos, no alto dos troncos
e no zumbir e no voar do insecto.
*
¡Surgi! ¡surgi! Lá jazem as enxadas.
Velhos, surgi! La voltam triumphantes,