Meu coração está longe,
Oh! muito longe d'aqui!
Ella, tão distante, vejo-a!
Ólho, e sempre a vejo a si!

XVI

Meu Amor, estás dormindo,
Não te quero despertar…
Ha de ser devagarinho
Que trovas te vou soltar.

De musgo, lirios e rosas
Uma cama irei fazer;
De jasmins e de saudades
O travesseiro ha de ser.

Quero que vejas nos sonhos,
Lindos, bellos, perfumados,
Os meus olhos, da vigilia,
Tristes, languidos, magoados…

XVII

Como são bellos os campos
Com esta luz verde e ouro!
Que namorados gorgeios!
E de fructos, que thesouro!

O que me trouxe indeciso,
O que me faz vacillar,
É se do sol se douraram,
Se tu que os fôste enfeitar!

XVIII

Sinto por vezes morderem-me
Remorsos…—visão pungente!
Ditoso de quem for justo!
Feliz do que não os sente!