Affirmas ser meu amigo;
D'aquelle, que não és tal…
Achas bem o que pratíco,
Do que faz me dizes mal.
Reunidos, todo o bajulas,
Pelas mãos mettes os pés…
Leve o demo taes amigos,
Amigos como tu és!
XXIII
Olha aquella pobresinha;
Coitada! chorosa vem!
Pede esmola… dão-lh'a, alegra-se,
Talvez pensando nalguem!
Se me faltasses, não via
Nenhuma esp'rança luzir!
Tinha inveja da mendiga,
Não mais tornava a sorrir!
XXIV
Leva o amor ao sacrificio,
Mas—firmeza—é de amizade;
Não gostava d'este asserto
No vigor da mocidade…
XXV
Já reparaste que entramos,
Todos, no mundo a chorar?
D'elle tambem não sahimos
Sem um suspiro exhalar!
Choramos o apartamento
Do ventre de nossa mãe…
Suspiramos pelas glorias
Que outra vida em si contém!