XXVI
O amor, quando verdadeiro,
Semelha a lua no ceu,
Que tem phases, mas subsiste;
Creio assim o affecto meu.
Exultante ou desgostoso,
Ou presente, ou invisivel,
Não posso deixar de amar-te,
O olvido não é possivel!
XXVII
Que lindo passeio démos,
Inda ha pouco, á beira-mar!
Tu no meu braço apoiada,
Eu num dolente cantar!
A sós, não sei que saudades
Teu intimo removeram!
Vinha a noite… pelas faces
As lagrimas te correram!
Apertando-me a teu seio,
Num extranho murmurar,
Disseste que com as ondas
Te podia comparar!
—«Ellas vinham, não voltavam…»
Poesia? presentimento?
Sorri, chamei-te criança,
Não soubeste o meu tormento!
XXVIII
Divulgar extravagancias
D'um Immortal, o mesmo é
Que levantadas estatuas
Denegrir desde o sopé.