A situação do Bihé não é bem conhecida. Estando nós em Sanza, asseveraram-nos, que demora ao sul d'aquelle ponto, a oito dias de distancia. Esta noticia pareceu confirmar-se pelo facto de encontrar-nos muita gente, que vinha do Bihé para o Matianvo (Sobre este ponto consulte o Diario de Joaquim Rodrigues á sahida do Bihé) e para Loanda. Toda esta gente veiu reunida até Sanza, e alli se separou, tomando uns para o nascente, e outros para oeste. A nascente do Coanza por conseguinte não fica provavelmente longe do Bihé.»

«Chegado ao rio Loembua, no proseguimento da marcha começada, refere o dr. Livingstone, que a presença de um homem branco infundio terror nas mulheres, e que, n'estes casos, pareciam muito contentes quando elle dr. Livingstone acabava de passar sem se ter apoderado d'ellas; que o espreitavam das fendas das portas, atê que elle se approximava, e então se recolhiam fugindo para o interior da casa.»

«Como d'este ponto (do Zambeze interior) deviamos separar-nos para o nordeste, resolvi-me a visitar na seguinte manhã a catarata Victoria, chamada pelos [indigenas] Mosioatunia, e mais antigamente Shonguê (Chungo?) Tinha-mos ouvido fallar d'ella desde que entramos n'estas terras, e uma das perguntas que me fez Sebituane foi «Tendes na vossa terra fumo que faça estampido? Elles (os indigenas) não se atrevem a approximar-se tão perto que possam examinal-a; porém, referindo-se ao vapor e ao estrondo «Mosi-va-tunia» o fumo alli estrondea. Outr'ora a catarata chamava-se Shonguê, mas nunca pude saber a razão de lhe darem este nome. A palavra que entre elles designa a vasilha de cozer a comida tem similhança com aquella, e acaso quereriam significar uma caldeira a ferver, comtudo não tenho certeza d'isto. Persuadido de que Mr. Oswell e eu fomos os primeiros europeus, que visitámos o Zambeze no interior do paiz, e de ser esta catarata o annel que prende as duas porções, conhecidas e desconhecidas, d'aquelle rio, decedi-me a usar da mesma liberdade com que se auctorisaram os Makololo, e lhe dei aquelle nome inglez, sendo esta a só occasião em que appliquei um nome da minha nação a alguma parte das terras que investiguei...»

«N'outro logar conta Livingstone que, achando-se na tribu de Mpende, cujo chefe lhe difficultára o passo, dous velhos vieram, de ordem d'este, perguntar-lhe quem era. E que lhes respondera. «Sou inglez.» A isto replicaram os velhos que não conheciam aquella tribu, e que suppunham que elle e os seus eram Muzungos (portuguezes) com os quaes n'outro tempo haviam combatido. «Então (accrescenta Livingstone) como eu ainda não sabia que a palavra Muzungo era applicada aos portuguezes, e pensei que queriam com ella designar os mulatos, mostrei-lhes o meu cabello e a pelle do meu peito, e perguntei se os Muzungos tinham o cabello e a pelle como eu? Como os portuguezes costumam cortar o cabello rente, e são além d'isso menos claros de que nós, os velhos responderam. «Não, nós nunca vimos pelle como essa tão branca.» E continuaram «Ah! vós decerto pertenceis á tribu que tem coração para os homens pretos.» Eu com satisfação lhe respondi que sim, etc.»

Fim


Manuel de Almeida e Vasconcellos.

Para V. Ex.cia ver.

Por Despacho de S. Ex.a de 11 de Maio de 1791.

Reg.da af. 39 do L.o 25 de Patentes e af. 41 do L.o 5.º dos Postos para fora fica assentada a sua Praça.