O auctor, não o conhecemos; mas deve ser muito jovem. Tem os defeitos do escriptor ainda pouco amestrado pela experiencia: imperfeições de lingua, de metrificação, de estylo. Que importa? O tempo apagará essas maculas, e ficarão as nobres inspirações estampadas nas paginas deste formoso livro.
Quizeramos que as Poesias Americanas que são como o portico do edificio occupassem nelle maior espaço. Nos poetas transatlanticos ha por via de regra demasiadas reminiscencias da Europa. Esse Novo Mundo que deu tanta poesia a Saint-Pierre e a Chateaubriand é assaz rico para inspirar e nutrir os poetas que crescerem á sombra das suas selvas primitivas.
Como argumento disso, como exemplo da verdadeira poesia nacional do Brazil citarei aqui dous trechos das Poesias Americanas: o Canto do Guerreiro e um fragmento Morro do Alecrim.
(Aqui vem transcripta por inteiro a poesia intitulada «O canto do Guerreiro» ([pag. 4]) e as ultimas strophes do «Morro do Alecrim».)
Abstendo-me de outras citações, que occupariam demasiado espaço, não posso resistir a tentação de transcrever das Poesias Diversas uma das mais mimosas composições lyricas, que tenho lido na minha vida.
(Aqui vem transcripta a poesia intitulada «Seos olhos». Veja-se [pag. 19].)
Se estas poucas linhas, escriptas de abundancia de coração, passarem os mares, receba o auctor dos Primeiros Cantos o testemunho sincero de sympathia, que a leitura do seu livro arrancou a um homem, que o não conhece, que provavelmente não o conhecerá nunca, e que não costuma nem dirigir aos outros elegios encommendados, nem pedil-os para si.
Lisboa (Ajuda) 30 de Novembro de 1847.
A. HERCULANO.