LAURINDO.

Que vozes, ternas vozes tão sentidas Os montes ferem de afflicção nascidas!

GALATÉA.

Ah Pastores, que, alegres, divertidos Cantais ao triste som dos meus gemidos! Se este pranto vos move á caridade, Deparai-me o meu Ácis, por piedade.

LAURINDO.

A voz he de mulher. que ao longe grita. Quem pudéra valer á triste afflicta! Os duros écos, que este valle atrôão, Senão me engano, desta encosta sôão. Eu vou por este pedregoso atalho Ver, se encontro, quem he, ver se lhe valho.

GALATÉA.

Ah! Ninguem já responde aos meus clamores? Já não acho piedade nos Pastores? Misera Galatéa! A que chegaste, Depois que amor no coração geraste! Mas ah! Senão me engana a mata espessa, Hum homem para mim o passo apressa! He Pastor: quem será? Não vejo tanto, Pois me escurece a vista o grosso pranto. Será o meu bom Ácis? Se elle fôra, Huma nova alma eu concebêra agora. Ácis! Ácis! És tu? Responde, falla: Ou não he elle, ou não me estima, e cala:

LAURINDO.

He Pastora; e se não me engana a idéa Pelo gentil semblante he Galatéa.