GALATÉA.
Ah piedoso Laurindo! Se tal fazes, A hum corpo morto nova vida trazes.
ÁCIS.
Que triste vejo a serra, o valle, o monte! O rio pasma, corre turva a fonte. Sim, sem a minha amavel Galatéa A clara luz do Sol he triste, e feia. Mas onde te acharei, gentil Pastora, Para clamar então: já vejo a Aurora! Aves, tornais o canto em agonia Porque vos falta a Mestra d'harmonia? O Ceo com ella adoce o meu tormento, Tereis nova lição, e eu novo alento, Mas ah! Que vejo! Que gentil Pastora? Parece Galatéa! Oh feliz hora! Não, não me enganes, lisongeira idéa. N'altura... em trage... em gesto... he Galatéa, Que está banhando em pranto o lindo rosto: Eu corro, eu vou tornar-lhe a magoa em gosto.
GALATÉA.
Ácis, se és vivo, sorte igual não tive.
ÁCIS.
Inda o teu Ácis dos teus olhos vive.
GALATÉA.
Ah! Que vejo! Ácis! Ceos! Será mentira?