Detem-te, amigo, e espera, que fazias? A ti mesmo matar-te pertendias? Seres comtigo mesmo ímpio tyranno, Para hum damno evitar com maior damno!

POLYFEMO.

Deixa, deixa, que eu morra por piedade, Porque morrendo, evito a crueldade Dos ímpios Deoses: ah! Viver não quero, Pois vida tão penosa não toléro: Tu contarás á falsa Galatéa, Que por ella me expuz á morte feia; Porém no peito o coração me estalla, Vendo, que Ácis tyranno ha de logralla: Mas logre-a, logre-a, embora, oh que tormento! Que eu só, por tal não ver, morrer intento.

LAURINDO.

Socega, amigo, queres dessa sorte Dar a vida, por quem te causa a morte? Queres vingar-te della socegado? Desprezou-te, despreza-a: estás vingado.

POLYFEMO.

Desprezar Galatéa, e offendella Quando só morrer por ella! Isso não, que depois de eu adoralla, Valor não tenho para maltratalla: Ella pratique embora a crueldade, Que eu não devo imitar-lhe a impiedade.

LAURINDO.

Conheces, que te offende essa perjura, E inda morres por ella? Oh que loucura!

POLYFEMO.