Não repares na côr dos meus cabellos;
A branda luz que nelles arde,
Como o poente, das nuvens faz castellos,
Tinge d'alva o crepusculo da tarde…
Muita vez os cabellos embranquecem
Na dor d'horriveis soffrimentos…
Não são os annos que nos envelhecem;
«São certas horas más, certos momentos…»
SOMNAMBULA
(Noite de S. João)
A João Caetano da Silva Campos
Leia estes versos, cantando.
—Quem canta seu mal espanta!
Alma em saudades penando,
Só tem alivio se canta…
SOMNAMBULA
(Noite de S. João)
Passarinho trigueiro,
Põe-te na areia!…
A areia é d'oiro,—painço loiro…
Leito macio… Vê como o Rio
Vae socegado, todo enlevado,
Todo encantado na areia fina!