Cuidado! se é muda a areia,
Pode o Rio murmurar,
E ás noites a Lua Cheia
Vem com elle conversar…
Já vae alto o sete-estrêllo,
Vae despontar a alvorada;
Mas uma voz desgarrada,
Como um grito sem appêllo,
Passa a cantar pela estrada:
«Esta noite, na novena,
S. João pôs se a chorar…
Da minha dor tinha pena,
Sem me poder consolar.
As andorinhas voltaram,
Desabrocharam as flores,
E as andorinhas contaram
Que tinhas novos amores…
Ninguem mais penas soffreu
Nem dor maior supportou;
Quem amou nunca esqueceu,
Quem esqueceu nunca amou!
Ai! infeliz de quem passa!
Ninguem seu amor escolhe,
Pois o amor é uma desgraça,
Que sem se esperar nos colhe…
Ai, infeliz de quem passa!… ……………………….»
Passarinho trigueiro,
Não ha amor como o primeiro…
Vôa, vôa sem parar!
Deixa a Lua estremunhada,
Deixa o Rio a murmurar…
O amor tem a asa ligeira,
E antes que rompa a alvorada.
Leva o ramo de oliveira
Àquella dor desgarrada!