Mas a lingua não é sumptuosa bastante
Para nella deixar teu génio circumscripto;
Trago-te dentro em mim, sinto-te a cada instante,
E a voz nem mesmo tem a eloquencia d'um grito!

Mas se para o teu culto, em esplendor externo,
Não encontro uma prece altamente expressiva,
Por ti meu coração arde d'um fogo eterno,
Como chamma a tremer de lampada votiva!

HYMNO Á DOR

Aos Condes de Sabugosa

HYMNO Á DOR

Sorri com mais doçura a boca de quem soffre,
Embora amargue o fel que os seus lábios beberam;
É mais ardente o olhar, onde como um aljofre,
A Dor se condensou e as lágrimas correram.

Sôa, como se um beijo ou uma caricia fôsse,
A voz que a soluçar na Desgraça aprendeu;
E não ha para nós consolação mais doce,
Que o regaço de quem muito amou e soffreu.

Voz, que jamais vibrou num soluço de mágua,
Ao nosso coração nunca pode chegar…
Mas o pranto, ao caír d'uns olhos razos d'agua,
Torna mais penetrante e mais profundo o olhar.

Lábio, que só bebeu na fonte da Alegria,
É frio, como o olhar de quem nunca chorou;
A Bondade é uma flor que se alimenta e cria
Dos resíduos que a Dor no coração deixou.

Em tudo quanto existe o Soffrimento imprime
Uma augusta expressão… mesmo a Suprema Graça,
Dando aos versos do Poeta esse esmalte sublime
Que torna immorredoira a Inspiração que passa.