Como á luz do sol doirado
É poeira d'oiro a limalha,
A todo o olhar angustiado
Em que a Saudade se espalha,
Parecem d'oiro e brocado
Lentejoulas de mortalha…
Ferreiro velho e cansado
Deixa a forja, não trabalha;
Mas do ferro trabalhado,
Vae recolhendo a limalha.

O AMOR E O TEMPO

(CHRISTOPULOS)

O AMOR E O TEMPO

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subiamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indicios de cansaço;
O Amor passava-nos adeante
E o Tempo accelerava o passo.

—«Amor! Amor! mais de vagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Subito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento…
—«Porque voaes assim tão apressados?
Onde vos dirigis?»—Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:
—«Tende paciencia, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo… Adeus! Adeus!»

FABULA ANTIGA