Soltas ao vento as velas de brocado,
Ao som das Lyras, sobre o rio immenso,
Dos remos d'oiro e de marfim sulcado,
O destino do Mundo ia suspenso!
Como nuvens correndo, as horas passam;
Já se divisa o porto; o sol declina,
E emquanto as velas, marinheiros, cassam,
Ella que um sonho de poder domina,
Deante do espelho, a reflectir, perscruta
Do seu corpo a belleza profanada,
Como o rufião nocturno, antes da lucta,
Examinando a lamina da espada!
MOIRO E CHRISTÃ
A Antonio de Barbosa de Mendonça
Abou-el Hassan, Ali, fils d'Abdalla,
Elzagouni, raconte ce qui suit…
Ebu-Abi-Hadglat, Divan Oriental.
MOIRO E CHRISTÃ
O pobre moiro enamorou-se
D'Ely, môça christã, sendo filho do Emir…
Tamanha dor sentiu, que o misero exilou-se,
Como se alguem podesse á propria dor fugir!
Longe, na terra alheia, abrasa-lhe a memoria
A imagem da mulher que a vida lhe prendeu,
Vendo-a morta, a sorrir sob um nimbo de gloria,
Mas no esplendor de um ceu que nem mesmo era o seu…