—Só a verdade é inverosimil.
—A amizade é uma hipótese divina que só os grosseiros cuidam ter vivido.{205}
—Avaliamos quási sempre os outros pelas opiniões que teem de nós. É por isso que conhecemos menos—aqueles que mais julgam conhecer-nos.
—Os artistas procuram no amor, além da satisfação do instincto, a glória,—na admiração de mãos postas da mulher. Compensa-os de não terem público, e só tarde percebem—que quanto mais beijados... mais inéditos.
—É preciso ser feliz em família p'ra compreender a volúpia de estar só.
—Porque é que os ciprestes entristecem?... Porque, p'ra nós, são um soluço{206} alongado e verde-escuro. É bem possível que êles sejam muito alegres... É por motivos dêstes que muitas coisas nos parecem tristes.
—Alguns dizem: publicar um livro é prostituir-se. Pedantes! O mar recebe nêle os vossos corpos...
—Quem mais injustamente julga um crime? Primeiro o criminoso, que estava fora de si, que já não sabe; depois os julgadores oficiais—que estão fóra de si profissionalmente.
—Aut César aut nihil. Podes ser um mendigo e ter na tua vida interior êste brazão.
—Sou por tal fórma talhado para amar—que o meu amor cresce com o meu desprêso.