Amar uma mulher, querer conseguir o mesmo fim, são causas de ódio.
—O nosso inimigo é o nosso cúmplice.
—Os programas de governo estão para a política, como os dogmas para as religiões. Nem os primeiros interessam os partidários, nem os segundos os crentes.{211}
—A liturgia obliterou-se, é de uma teatralidade já sem símbolo. Corresponde à retórica—ou arte de hipnotizar imbecis com gestos e palavras em que se sacrifica à idea ausente.
—Não há esculturas como as nuvens.
—Os homens que construem um sistema, fazem a própria jaula em que se fecham.
—A grande indústria humana—a específica—é a fabricação de deuses.
—P'ra viver puro é preciso durar como as espumas: um instante.
—A tragédia de D. João está no supremo poder de seduzir, de que êle próprio foi a maior vítima. Em nenhum amor matou a sêde.
De mulher em mulher, como outros de idea em idea, êle era, essencialmente, um homem bêbedo de Deus, como Spinosa.{212}