—Viver é adorar com o corpo todo. A suprema oração é o desejo, a linguagem—a arte, que é o esfôrço heróico p'rà Beleza.
—Morte! És p'ra mim o sal da vida...
O teu silêncio grita:—andem depressa! Deita mais lenha na ambição, ambicioso; decifrador de enigmas, parte a esfinge; corpo a corpo, amorosos, sonho em sonho; e tu, maníaco de teorias, bom filósofo, coze depressa o teu sistema—anda depressa!...
O teu silêncio excita como uma dança de baiaderas: dá vertigem...
P'ra exasperar em nós a sagrada loucura de viver, para que os homens não percam um instante—ergam-te estátuas nos jardins, nas praças, na cimalha das academias e dos templos, Musagéta da Vida, grande Morte, com a lira de Apolo e olhos vazios...
—O que é o mar para o meu corpo, é a dôr para a minha alma.
—A solidão, beata solitudo, é o palácio encantado dos espelhos. Ó alma, corre as{222} tuas galerias. Myríades de retratos, de obras-primas, no dédalo dos corredores, nas salas lúcidas, echoando em reflexos, irisando-se, como a palavra de Deus de estrela em estrela. É o teu povo; és tu, alma: és tu mesma.
—O tacto da alma é a evocação.
—Outono: idílio da Natureza com a Morte.
—O amor é o génio do desejo: um instinto espiritualisado.