—A arte é uma espécie de alchimia: mesmo do crime, extrai o oiro mais puro.

[[1]] Nietzsche.

[[2]] C. F., meu ex-condiscípulo, despediu-se de mim para casar, como outros se despedem para morrer. Casou depois de ter vivido intensamente,—como outros se fazem morfinomanos ou alcoólicos: p'ra anular a sua inquietação, a sua febre, na sedativa estupidez da vida séria. Sentia-se sem saúde e sem coragem, quer p'ra viver a vida com nobreza, quer p'ra ir ao encontro ao seu outono, morrendo a tempo—como manda o meu filósofo. Foi há três anos. Nunca mais nos vimos. Soube depois, por os jornais, que é deputado e, o que é melhor... ou pior, que vai ser par. Não sei se o meu amigo conseguiu a paz no anulamento, ou se é o actor duma comédia lúgubre—mascarando de banalidade o seu espírito. Deixou-me à hora da morte (à hora da vida social, da vida séria) os seus cadernos de notas—e uma obra de humorismo lírico, de ironia comovida e filosófica:—A Metafísica de uma borboleta.—Estas notas, que transcrevo de um dos seus cadernos, de entre as que não ferem sensivelmente a moral pública, são talvez—os senhores dirão—curiosas.

ÍNDICE


PAG.
[Diálogo com uma águia...][9]
[O precoce...][47]
[O homem das fontes...][77]
[Suze...][119]
[O Veiga...][155]
[Words...][201]

ACABOU DE SE IMPRIMIR ÊSTE LIVRO A QUINZE DE JUNHO DE MIL NOVECENTOS E VINTE NA IMPRENSA DA EMPRÊSA DO «DIARIO DE NOTICIAS» PARA AS LIVRARIAS AILLAUD E BERTRAND

[ERRATA]

A pag. 2, onde se lê: «Colhecem lá o amor etc.», deve lêr-se: «Conhecem lá o amor etc.»

A pag. 73, onde se lê: «... ressuscitava em gramas sonolontas.», deve lêr-se: «... ressuscitava em gamas sonolentas.»

A pag. 86, onde se lê: «Aludimos os», deve lêr-se: «Aludimos aos».