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Meu pobre amigo! Sempre silencioso!
Assim eu fui. Scismava, lia, lia...
Mudei no entanto de Philosophia.
Não creio em nada! e fui tão religioso!
Tomei parte no Exercito gloriozo
Que foi bater-se por Israel, um dia!
Cri no Amor, no Bem, na Virgem Maria,
Não creio em nada! tudo é mentirozo!
Não vale a pena amar e ser amado,
Nem ter filhos d'um seio de mulher
Que ainda nos vêm fazer mais desgraçado!
Não vale a pena um grande poeta ser,
Não vale a pena ser rei nem soldado
E venha a Morte, quando Deus quizer!

St. Johann-am-Platz, outubro, 1899.

OUTRAS POESIAS

A FRANCISCO CEZIMBRA

Eu chegara de França uns quatro dias antes
E via-me tão só n'um deserto sem fim,
Lá deixara a alegria, amores, estudantes,
Via a vida, aqui, negra adiante de mim.
Que havia de fazer? Eu não tinha um desejo,
Nada no mundo me podia estimular!
Ai quantas vezes, ao passar junto do Tejo,
Perdoa-me, Senhor! pensei em me afogar!
Perdoa-me, Senhor! tu deves perdoar
Pois para que me deste assim um coração!
Tudo quanto via me dava que scismar
De tudo tinha dó, de tudo compaixão.
Ó meus amigos de Coimbra! que saudades
Eu sentia ao pensar nos tempos d'illuzões!
Porque chamaria eu agora, só vaidades
Ao que outrora p'ra nós tinham sido visões?
E conheci depois a phase lastimoza
(Ó meus amigos certos, não m'a queiraes lembrar)
Em que descri de tudo, até da meiga roza
Que via entre velas, aos pés d'algum altar.
De tudo ri então, Senhor, como um perdido
Mas era um rizo mau, Francisco, que feria...
Tu cuja alma em flôr ainda me sorria
Como pudeste tu, meu rizo ter vencido?

1895.

Ladainha da Suissa

A MARTINHO DE BREDERODE