13

Ha um lindo logar, em Traz-os-Montes,
Com uma caza só, a caza della.
O mais é o pôr-do-sol, bouças e fontes
Que compõem a sua parentella.
Encanto de possuir uns taes parentes!
Fidalga excepcional que é a Purinha!
Que ella nas veias tem sangue dos poentes,
E os cravos brancos chamam-lhe: Priminha!
Oh que ascendencia! que familia estranha!
Onde ha fidalgos com uns taes avós?
Sois os seus Paes, pinheiros da montanha,
E assim ella é altinha como vós!

14

Amo-te toda porque és linda, linda, linda!
Teus olhos, tua voz, teu sorrizo, eu sei lá!
Mas o que eu amo mais, o que amo mais ainda,
É a alminha de Deus que dentro de ti está.

15

Uma alma chega ao pé do seio da Purinha!
E bate devagar, docemente: «truz! truz!»
—Quem é? (responde lá de dentro uma vozinha)
—(Antonio...) e logo veio á porta, com a luz.

16

Mamã te chamo porque me trazes ao peito,
Filha te chamo pelo mimo que te dou,
Irmã te chamo porque te tenho respeito,
Noivinha te chamo porque teu noivo sou!

17

Na sexta-feira ás dez horas olha p'ra lua,
Que eu, tão longe, ai tão longe! hei-de olhal-a tambem:
Assim minha alma encontrar-se-á lá com a tua!
E quem se encontra, filha!, é porque se quer bem!