18
Tu és altinha como eu, embora
Eu seja um homem e tu uma criança!
Tanto que ao irmos pela estrada, agora,
Ouvi dizer: «Que lindo par de França!»
19
Teus olhos são dois ceus. E nelles leio
O que nos outros lêem os pastores:
Estrella da manhã dos meus amores!
Sete estrello que vaes do ceu em meio!
20
Ai que saudade! O amor das Extrangeiras!
Que chegam, sabe Deus d'onde e com que fito,
E um dia, lá se vão andorinhas ligeiras,
E nunca poisam, andorinhas sem Egypto!
21
No vosso leito, á cabeceira, ponde isto,
Ponde este livro ao pé do vosso coração:
Adormecei rezando a «Imitação de Christo»
E «Nun Alvares», que é de Christo a imitação.
O DESEJADO
O poema, cujos fragmentos são agora publicados, não seria uma composição de caracter peculiarmente epico mas sim melhormente lyrico. Auctorisaria esta conjectura o tom subjectivo do talento do poeta e ella é confirmada pelo que elle chegou a realisar da sua concepção. Assim, quanto de narrativamente historico houvesse de ser objecto da sua obra viria coado atravez da imaginação do auctor. Elle propunha-se evocar não uma figura de chronica mas um typo de lenda, e o seu alvo era fazer sentir ao leitor o encanto idealista e romanesco do sebastianismo, considerado como elemento de estimulo para a fé na nacionalidade e como incentivo e consolação nas esperanças e nas decepções da patria.