VIII
Eu confio em ti reza d'Heroes,
E confiar em ti, não é vaidade.
Vossos nomes de bronze são pharoes
Que luz darão, á nossa tempestade.
O nosso Rey... (cabello em caracoes!)
Já não dorme no Paço... Piedade!
Deixareis a Patria engrandecida
Por vossas mãos p'ra sempre ser vencida?
IX
Côr do ceu a bandeira e côr de neve
Não a vejo na torre a fluctuar!
Senhor! Vós bem sabeis que o Rey não deve
Outras armas que a vossa apresentar.
Se assim deixaes que outro povo a leve,
Porque a déste ao nosso p'ra guardar?
Não é elle o mesmo que em Ourique
A acclamou nas mãos do teu Henrique?
X
Anda tudo tão triste em Portugal!
Que é dos sonhos de gloria e d'ambição?
Quantas flores do nosso laranjal
Eu irei vêr cahidas pelo chão!
Meus irmãos Portuguezes, fazeis mal
De ter ainda no peito um coração.
Talvez só eu! (Amôr ai tu m'entendes!)
Possa ainda ter a paz que já não tendes.
XI
Talvez só eu irmãos! mas é que a mim
Deve o Senhor as flores com que s'enfeita
A mocidade!... que é d'elle o meu jardim!
Dizei-me vós irmãos, na vida estreita
Toda a desgraça não terá um fim?
Se a ventura não póde ser perfeita
Tenho agora a Patria em sepultura!
Que mais quereis na taça d'amargura?
XII
Virá, um dia, carregado de oiros,
Marfins e pratas que do céu herdou,
O rei menino que se foi aos moiros
Que foi aos moiros e ainda não voltou.
Tem olhos verdes e cabellos loiros,
Ah não se enganem, (ainda não chegou)
Virá El-Rey-Menino do Estrangeiro,
N'uma certa manhã de nevoeiro...