Mas para isso, ó Maria!
Dize áquella cotovia
Que falle mais devagar:
Não vá o João, acordar…
E os annos irão passando.
Depois, já velhinho, quando
(Serás velhinha tambem)
Perder a cor que, hoje, tem,
Perder as cores vermelhas
E for cheiinho de engelhas:
Morrerá sem o sentir,
Isto é deixa de dormir…
Acorda e regressa ao seio
De Deus, que é d'onde elle veio…
Mas para isso, ó Maria!
Pede áquella cotovia
Que falle mais davagar:
Não vá o João, acordar…
Pariz, 1891.
*Ao Canto do Lume*
Novembro. Só! Meu Deus, que insupportavel mundo!
Ninguem, viv'alma… O que farão os mais?
Senhor! a Vida não é um rapido segundo:
Que longas horas estas horas! Que profundo
Spleen o d'estas noites immortaes!
Faz tanto frio. (Só de a ver me gela, a cama…)
Que frio! Olá, Joseph! bota mais carvão!
E quando todo se extinguir na aurea chamma,
Eu botarei (para que serve? já não ama…)
As cinzas brancas, meu vermelho coração!
Lá fóra o vento como um gato bufa e mia…
Ó pescadores, vae tão bravo o mar!
Cautella… Orçae! Largae a escota! Ave Maria!
Cheia de Graça… Horror! Mortos! E a agoa tão fria!…
Que triste ver defuntos a boiar!