E afinal,
Nem frescura, nem belleza,
No meu rôsto descobri!
—Ó morte, não me procures!
E tu, meu amôr, não venhas!…
—Eu já morri.
+XIII+
Já na minha alma se apagam
As alegrias que eu tive;
Só quem ama tem tristezas,
Mas quem não ama não vive.
Andam pétalas e fôlhas
Bailando no ár sombrío;
E as lágrimas, dos meus olhos,
Vão correndo ao desafio.
Em tudo vejo Saudades!
A terra parece mórta.
—Ó vento que tudo lévas,
Não venhas á minha pórta!
E as minhas rosas vermelhas,
As rosas, no meu jardim,
Parecem, assim cahidas,
Restos de um grande festim!
Meu coração desgraçado,
Bebe ainda mais licôr!
—Que importa morrer amando,
Que importa morrer d'amôr!
E vem ouvir bem-amado
Senhor que eu nunca mais vi:
—Morro mas levo commigo
Alguma cousa de ti.