Dá-me o infinito goso
De contigo adormecer,
Devagarinho, sentindo
O arôma e o calôr
Da tua carne,-meu amôr!
E ouve, mancebo aládo,
Não entristeças, não penses,
—Sê contente,
Porque nem todo o prazer
Tem peccado…
Anda, vem… dá-me o teu corpo
Em troca dos meus desejos;
Tenho Saudades da vida!
Tenho sêde dos teus beijos!
+VIII+
Se me deixares, eu digo
O contrario a toda a gente;
E, n'este mundo de enganos,
Falla verdade quem mente.
Tu dizes que a minha boca
Já não acorda desejos,
Já não aquece outra boca,
Já não merece os teus beijos;
Mas, tem cuidado commigo,
Não procures ser ausente:
—Se me deixares, eu digo
O contrario a toda a gente.
+IX+
Ouve, meu anjo:
¿Se eu beijásse a tua pél?
¿Se eu beijásse a tua boca
Onde a saliva é um mél?…
Quiz afastar-se mostrando
Um sorriso desdenhoso;
Mas ai!
—A carne do assassino
É como a do virtuoso.