DO AUTOR

CINZAS, 1908 (Fóra do mercado)
LUAR D'OUTONO, 1912 (Exgotado)

Encheste a minha vida d'amargura.
Encheste a minha vida de martyrios.
Enchi a tua vida de ternura,
E vou encher o teu coval de lyrios.

+Dia 13+

A sombra vae cahindo lentamente.
Cahindo, amortalhando devagar
A hostia ensanguentada do poente!
Ouvem-se ao longe as fontes soluçar…

A aragem murmura docemente.
Ha preces de novena pelo ar.
A natureza ás vezes tambem sente!
Ha tardes em que o ceu sabe chorar!

As velas assustadas, pela serra,
Paráram de moêr, fitando a Terra!
Passa um enterro… «É nova, vae tão cêdo!»

Falam maguas nos olhos de quem passa…
Anda no ar um vento de Desgraça!
Amor, as tuas mãos… eu tenho mêdo!

13—Março 1916

+A vida é uma walsa…+