Decerto tu sentiste o abandono,
Que vae acompanhando o sol-poente,
Nas tardes tristes, lividas, do outono,
E quando chora o coração da gente!

Tardes pedindo ao sol a Extrema-Uncção,
Numa ancia doentia de mais luz!
Decerto tu sentiste a sensação,
De ajoelhar's em frente d'uma cruz!

Tu entraste á tarde na Egreja,
Á hora de resar's—bemdita seja,
A côr tão doentia do Outono!—

Tudo sentiste… e os olhos rasos d'agua!
Que pena não sentir's a minha magua!
A vaga incompreensão d'este abandono!

1921

+13 lyrios+

Atei-os com os fios d'oiro daquela taça de crystal «bohème» que partiste…

Encheste a minha vida d'amargura.
Encheste a minha vida de martyrios.
Enchi a tua vida de ternura,
E vou encher o teu coval de lyrios.

São 13 os lyrios roxos que levei.
—Meus versos de saudade são p'ra ti.
Amor, num dia 13 te encontrei!
Num dia 13, Amor, eu te perdi.

Meu doce Amor perdido… heide te vêr,
Na luz que tem o céo ámanhecer,
Na côr do sol-poente em que reparo!