Ha mundos novos pra arrancar á Treva,
Muitas venturas p'ra roubar á Dôr...
—Partamos todos numa ardente léva,
Erguendo ao alto pavilhões de Amôr!
No mar profundo e vasto do Futuro
Ha muitas Indias para descobrir...
Vamos abrir á luz o Oceano escuro,
Vamos tocar ás praias do Porvir!...
É embarcar e partir, com anciedade!
—Vamos buscar aos horisontes nóvos,
Indias-nóvas de Amor e liberdade,
E mais luz e justiça para os Póvos!...
É olhar o Passado!—Olhai-o vós
Com bons olhos de Amôr... E escutai!
—E toda a Historia que se escuta em nós,
—Vêde a maré de gloria que ahi vai!
Deitai barcos ao Mar! Eh!—marinheiros!
Que esperais vós, entam?—Vá, embarcar!...
—Nós somos inda os mesmos marinheiros,
—É este ainda o mesmo antigo Mar!
O mundo é sempre novo,—ó meus amigos!
E o Futuro é imenso e o Ideal...
—Embarquemos p'ra o Mar como os antigos,
—Que este é ainda o mesmo Portugal!
S. João do Campo—12 de Agosto, 1911.