Urge que eu fale a Claudia. É muito sério
O que me traz!

GEDA dominada pelo tom de voz da desconhecida, colloca o candalabro na meza.

Eu vou...—Temos misterio!

E entra nos aposentos de Claudia.

A mulher, vendo-se sósinha, ergue então o véo. É Maria de Bethania. Á fadiga reune-se no seu rosto transtornado profundo abatimento moral.

MARIA com os olhos erguidos ao ceu, os labios balbuciantes, como n'uma préce:

Ó essencia do Bem! ó divinal encanto,
Que fazes do Amor a tua crença unica!
Presinto que a Desgraça estende o negro manto
E deixa a descoberto a sanguinaria tunica,
Pairando sobre ti mais proxima que outr'ora
Presinto que o teu rosto, onde sorri ventura,
Em breve deixará de ser como é a aurora,
Tornando-se, meu Deus! em grande noite escura!
Mostra-te para mim bondoso e esmoler:
Escuta-me, Senhor! E que seja bastante,
Para fazer da noite aurora triunfante,
Uma lagrima ardente e pura de mulher.

E fica absorta, com a cabeça encostada ao pedestal do busto de Tiberio.

CLAUDIA apparece muito descuidosa, e, ao vel-a, não reprime o seu assombro.

Maria de Bethania?! O quê? Pois tu
Ousaste vir aqui? Pois desafías
Com a tua presença o meu rancor?
Tens a loucura, a falta de criterio,
De brincar com as cinzas inda quentes?