SIMÃO
Olha que talvez pense
Em prender-te, e depois nada ha que recompense
O inutil sacrificio.
SIMÃO PEDRA
Ao teu valor opponho
Todo o meu raciocinio.
JOÃO que ficára immovel olhando para a muralha da cidade:
Ainda julgo um sonho!...
GAMALIEL encostado ao bordão, a meia voz, rancoroso:
Sobre a cruz aviltante, assim como o homicida,
Como o escravo traidor, como o ladrão!...
JOÃO irrompendo:
Ó Vida,
E continúas tu dando vigor a quem,
Depois de infamia tal, dorme em Jerusalem!
Profetas de Sião, da campa alevantae-vos
Para escrever ali com sanguinarios laivos
Esta nefanda historia, este inarravel crime!
Dobrae Jerusalem, como se dobra um vime,
E que a mão do Senhor, terrivel, iracundo,
Em látegos crueis com ella açoite o Mundo!