Cingindo com os braços Maria e Martha:
Partamos, sim, pela estrada Que nos conduz ao misterio.
Sorri ao longe a alvorada...
Vamos tranquillas, serenas,
Bater a cada poisada,
E sejam nossas palavras:
Levando-as comsigo docemente:
Vinde comnosco, mulheres,
Orvalhar co'o vosso pranto
A boceta em que dormita
Aquelle celeste encanto.
Ide colher á campina
Braçados de malmequeres,
De alfazema e rosmaninho...
E vão-se as trez pela estrada a caminho do sepulcro.
O firmamento agora é limpo. Raras estrellas brilham ainda. A luz da madrugada define-se, e a brisa traz os perfumes dos vergeis e trigaes de Gethsemani. Por um pequeno atalho cinco homens avançam para a cidade: João, Gamaliel, Simão Pedra, Eleazar e Simão de Bethania. Todos denunciam no andar e no rosto o abatimento moral em que se encontram, a irresolução, o receio. Chegados em frente da muralha:
SIMÃO PEDRA que viera junto de João:
Não entres na cidade...
ELEAZAR
És muito conhecido.
O Conselho não tem desviado o sentido
Dos amigos do Mestre.