Tens razão. As Sagradas Escripturas
Iriam pezar muito no caminho.
Mas deves ir com um, pois é preciso
Para te dar o aspecto d'homem sério.

JOSUÉ

Ao romper da manhã...

BENJAMIM

Vae-te! Vem gente!

E tomam para lados oppostos, revestidos de sua compostura habitual.

Quatro homens assomaram á porta do Leproso; são Eleazar acompanhado de João, Simão Pedra e Matheus.

João é um bello tipo da raça judaica do norte. Alto, robusto, espadaúdo e ainda imberbe. Os louros cabellos de genuino galileu caem-lhe sobre os hombros em fartos anneis. Olhar azul, meigo; gesto largo e suave, na quietação d'alma; mas desordenado e brusco, se a colera o determina. Voz intensa, possante, cadenciada, de homem habituado a falar ao ar livre, na grande extensão da superficie das aguas.

Mais velho do que elle, Simão Pedra deixa transparecer em toda a sua figura suavidade extranha em creatura humana. De Capharnaum, galileu tambem e tambem robusto homem do mar, o seu rosto é circumdado pelos annelados cabellos e pela barba comprida, bipartida, e tão loura, que mais parece branca. Olhar penetrante, mas bondoso e ligeiramente accentuado por um vinco entre os supercilios, o que torna a sua fisionomia um pouco severa. Gesto sempre sereno; voz protectora, paternal.

Matheus é mais velho do que João e mais novo do que Simão Pedra. Baixo, de forte musculatura, barba ruiva bipartida; olhos meùdos e muito vivos de antigo publicano. Todavia o conjuncto da fisionomia é attrahente por uma expressão de rude franqueza que n'elle predomina. Voz quasi homofona, de homem metódico, que raras vezes se enthusiasma ou sensibilisa, e que tem da vida uma noção segura.

Os trez trazem na cabeça turbante á moda egypcia, com as pontas caídas ao longo das costas. Os mantos e as tunicas empoeirados mostram que foi grande o percurso que fizeram os romeiros.

JOÃO resfolegando:

Amigos, n'este sitio ha fresco e liberdade!

MATHEUS

E ficam bem á vista os muros da cidade...
Não sei o que adivinho!...