GEDA vae ligeira ao candalabro; d'elle tira uma vella e dirige-se á clépsydra. Repõe depois no seu logar a vella, e voltando para junto de Claudia:

Salvo engano, gottejou
A segunda hora de prima...

CLAUDIA

Por Saturno, é muito cedo,
Pois não é?

GEDA

Tambem eu cria
Ser mais tarde.

CLAUDIA boceja largamente.

Agora, em Roma,
Ouve-se ainda a folia
Da multidão buliçosa,
Que de toda a parte assoma,
Soltando ao vento a harmonía
Da sua voz descuidosa...

Vem Poncio, taciturno, e para a meza se encaminha, trazendo na mão direita um escripto em papyro. É homem d'estatura mais do que regular, e de idade viril. Rosto livre de pellos; o nariz aquilino; bôca breve, olhos negros e vivos; curto cabello em curvas de frisados, testa larga onde as rugas bem se ageitam. Alva a tunica e alvo o manto farto; sandalhas amarellas; mãos carnudas. Sentou-se junto da meza, e o papyro consulta.

CLAUDIA indolente, para Geda: