Permaneces?
PONCIO
Decerto, pois me cumpre.
Na perna esquerda sobrepõe a direita, fazendo-a oscillar por longo tempo.
CLAUDIA não podendo conter a intima revolta:
Bella esperança! Hei de viver aqui,
Segundo me parece, eternamente!
—Casou Venus com Marte e foi o Amor O que nasceu da conhecida união;
Casei comtigo, audaz procurador,
A principio amoroso, bom, cortez...
O que nasceu, por fim, d'este consorcio?
Nasceu a Insipidez!
PONCIO enrugando a testa e sem olhar para Claudia:
Pela divina Isis que estás louca,
Ou requintas de véras em maldade!
CLAUDIA
Talvez seja melhor
Não despertar do Nilo a divindade!
—N'estes ultimos annos tenho sido
Verdadeiro modelo de matrona...
Sabes que ambiciona
A minha alma fugir a tal desterro,
E não queres pedir a demissão!
Imaginas talvez ser este o meio
De garantir a minha honestidade?
Pois olha, estás em erro!
Não me curvo a pressões tão aviltantes.
Se não fôr satisfeito o meu desejo,
Perderei todo o pejo...
—Inda possuo algum, valha a verdade!—
E para me vingar bem cruelmente
Serei mais leviana do que d'antes!