Desculpa-me. Prometto
Não me exaltar de novo, ó Poncio.
PONCIO sem desviar d'elle o olhar:
O mel do Hymetto
Agrada a toda a gente... e fica bem na fala.
HANAN muito submisso:
Dou-te razão; mas vê que dôr nenhuma eguala
A dôr que sinto. E não terei motivo? Escuta:
Aquella sã doutrina, a doutrina impolutaQue nos deixou Moysés, o grande fundador
Da nação, que livrou das garras do oppressor
O povo escravisado, e que á ditosa grei
Legou, depois da Fuga, um Deus e Patria e Lei!
A doutrina sublime, erario de virtudes,
Que tem ficado illesa ainda nas mais rudes
Provações...
PONCIO cortando a harenga, novamente em tom sarcastico:
Vaes falar d'alguem profeta novo,
Que anda por'hi talvez a amotinar o povo
Contra os amigos teus?—Pois hei de protegel-o.
Apraz-me não tocar nem siquer n'um cabello
D'esse homem.
HANAN refreando a cólera:
Mas porquê? Terás razões secretas?