Quem as tem não sou eu: são elles, os profetas,
Ao falarem de ti.
HANAN com ironia e falsa humildade:
Então! sê razoavel
E mostra coherencia, ó tiranno implacavel!
Um cadaver de mais, um cadaver de menos,
É coisa que não leva aos teus dias serenos
Nenhuma inquietação, nenhum remorso.
Animando-se pouco a pouco:
E quando
Um sacerdote probo e honesto e venerando
Em nome da Judéa a morte solicíta
Para um vil criminoso, o teu rancor hesíta?!
Esplodindo, francamente:
De cumprir o dever percebo o que te afasta:
Quem te fala sou eu, que tu odeias!
PONCIO fitando-o enfurecido, dá um murro na meza; e erguendo-se:
Basta!
Sabes que essas razões não oiço, nem toléro,E que digo uma vez que não, quando não quero!
—Como o poder de Roma aos homens do Conselho
Tirou todo o poder de tingir de vermelho
N'um banho sanguinario os corpos fraternaes,
Privados de lavrar sentenças capitaes
Sem que eu lhes dê meu voto, imaginaste, Hanan,
Que eu poderia, qual infame barregã,
Despejar a vergonha á rua, como o lixo,
Para satisfazer depois o teu capricho?
Porque uma voz protesta e clama contra o vil
Conselho que assoberba o povo e que, febril,
Anda a espiar na sombra, a procurar o instante
Em que ha de ser traidor ao Cezar triunfante;
Porque um homem possue a civica ousadia
De guerrear talvez a tua hipocrisia,
Venerando ancião, tiveste uma lembrança:
Transformar o meu voto em arma de vingança
Cobarde! Sim! Bem vejo a idéa que te inflamma!
Agarrando no pilo: