POR
A. d'Oliveira Cardoso Fonseca
LISBOA
TYPOGRAPHIA CASTRO IRMÃO
31 Rua da Cruz de Pau 31
1882
..............contempléz ces ruines affreuses,
Ces débris, ces lambeaux, ces cendres malheureuses,
Ces femmes, ces enfants, l'un sur l'autre entassés
Sous ses marbres rompus, ses membres dispersés.
Voltaire, Poëme sur le desastre de Lisbonne.
O DESASTRE DE LISBOA
I
Tornou-se escuro o céu, sol não se via;
Medonha tempestade se formava;
O solo, se gretando, estremecia
E n'um abysmo grande se tornava!
Lisboa nunca viu tão triste dia;
Perdida toda a gente se julgava;
As casas, sacudidas, oscilavam
E pelo gran' tremor se esmoronavam!
II
O cataclismo nada respeitava;
Palacios, templos, casas destruia,
E nos tristes destroços abysmava
Os miseros que n'elles envolvia.
Uma desgraça tal ninguem poupava
Á grande mortandade, que fazia:
E sob as cantarias deslocadas
As gentes expiravam sepultadas.