XIII

Após cem annos de teu somno infindo
Esquecido não é teu genio ingente.
Da historia nossa as paginas abrindo,
Aonde a gloria tua é tão patente,
Haverá portuguez que, amor sentindo
P'la patria cara, outr'ora tão fulgente,
Penhorado não lembre o que fizeste
A Portugal que tanto enobreceste?!

XIV

O que importa o dormir da sepultura
Após a vida á patria dedicada,
Se do tempo ou da morte a lima dura
Gastar não póde a gloria conquistada,
Que pela mesma morte já está pura
Se no exilio não foi purificada?!
Festejai portuguezes esse vulto
A quem devemos todos prestar culto!

XV

Eis que chega o momento em que a nação
Outr'ora tanto d'outras invejada,
E que esquecer não sabe a gratidão
Áquelle por quem foi tão levantada,
Tributa cordeal veneração,
De nobres sentimentos animada,
Ao estadista que a nenhum respeito
O proprio reino qu'ria ver sujeito.

XVI

Exultemos de ver agradecida
A patria, n'um festejo nacional,
Da sua elevação não esquecida,
Que deve ao nobre filho de Pombal;
Por tão soberbo jubilo movida,
Celebrar centenario ao immortal
Conde d'Oeiras, de Pombal Marquez,
No sangue e n'alma puro portuguez.

XVII

Oh! salve, minha patria idolatrada,
De eminentes varões inclyto berço;
Por heroes excelentes illustrada;
E engrandecida á face do Universo
Por esse vulto enorme, alma elevada
Por quem, no meu singelo e pobre verso
Este sincero voto aqui registro:--
«Gloria immortal ao immortal ministro!»