VIII

Esses profugos, todos criminosos
E talvez nas masmorras pervertidos;
Homicidas, ladrões industriosos
Que não estão do vicio inda esquecidos;
D'entre ferros sahindo furiosos,
Por toda a parte correm atrevidos,
O terror augmentando na cidade
Que entregue fica á sua impiedade.

IX

Dos destroços que as ruas impediam,
E centos de cadaveres juncavam,
Dilacerantes gritos se partiam
Dos feridos que n'elles se encontravam,
E lugubres gemidos se sentiam
Dos que em terriveis ancias expiravam!
Outros emfim, correndo desesp'rados,
Ao Tejo se lançavam. Malfadados!...

X

Mas de repente um vulto grandioso,
De excessivo talento e arrojado,
Da patria pelo amor tão orgulhoso,
Por tantas vezes já por si mostrado;
Tantas victimas vendo, pressuroso
Tratou de castigar tanto malvado,
E com duras medidas que adoptou
O negro vandalismo terminou;

XI

E, com essa energia portentosa
De que dotado foi tão largamente,
O estadista de fama gloriosa
Que á patria lembrará eternamente,
A do Tejo rainha tão formosa
Reedificar consegue brevemente.
--E qual flor escapada ao vendaval
Altiva se ergue a linda capital!

XII

Salve, Marquez, a quem Pombal foi berço,
Mais tarde exilio, tumulo na morte!
Do sepulchro em que ha tanto estás immerso
Julgo ver-te surgir altivo e forte:
E, Portugal mostrando ao universo,
Dizeres:--«Eil-a! A patria... foi meu norte;
Hoje, reliquia de passadas glorias,
Como outr'ora não conta já victorias!»